Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver. Eu, que sempre fui forte, não tinha jeito, precisava chorar. Minha casa, que antes era um refúgio, tornou-se um lugar estranho, como se nem fosse mais minha. Tudo ao redor parecia deslocado, e a solidão, uma companhia constante.
Enquanto caminhava, as lágrimas rolavam silenciosamente. Pensamentos sombrios me envolviam, e, por um momento, a ideia de desistir parecia tentadora. Mas havia uma força dentro de mim que resistia. Decidi fechar o pranto, encarar a dor e seguir pela vida, tentando me esquecer de você.
Com o tempo, percebi que não queria mais a morte. Havia muito a ser vivido, experiências novas a serem descobertas. Decidi que ia amar de novo, e se não desse certo, não sofreria. Porque agora, mais do que nunca, eu entendia que meu viver dependia de minhas próprias mãos.
Cada dia era um passo à frente, um recomeço. Já não sonhava, mas fazia com meu braço o meu viver. A vida voltava a ganhar cor, e minha voz, outrora embargada pela tristeza, ganhava força nas estradas que escolhia trilhar.
Soltar a voz nas estradas tornou-se uma espécie de libertação. Já não queria parar. Meu caminho ainda era de pedra, mas agora, cada pedra se tornava parte da minha história, do meu crescimento. Como posso sonhar, perguntei-me de novo, mas agora a resposta vinha clara: sonho feito de brisa, e o vento não vem terminar, mas sim espalhar meus sonhos pelo mundo.
E assim, continuava minha jornada, aprendendo a viver de novo, a amar de novo. Porque, afinal, a vida é feita de recomeços, e eu estava disposto a construir novos sonhos, com a certeza de que cada passo, cada estrada, fazia parte de quem eu era e de quem eu estava me tornando.
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