sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A verdade Nua - Luz del Fuego

Finalmente republicado, o livro A Verdade Nua de Luz del Fuego! Uma obra que, por décadas, foi censurada e perseguida pelo conservadorismo em nome dos “bons costumes”. Como bem disse Luz del Fuego: “Atire a primeira pedra quem nunca se perdeu na busca pela própria liberdade.”
Hoje, o leitor ficará boquiaberto com a inteligência de uma mulher à frente de seu tempo, que deu uma verdadeira aula de erudição e cuja mente brilhante ia muito além da imagem de dançarina com suas cobras. Até os mais rígidos moralistas foram obrigados a reconhecer que ela era uma mulher completa, complexa e corajosa, capaz de desafiar convenções e questionar os limites da sociedade.
Esta segunda e única edição republicada apresenta a obra completa, permitindo ao leitor conhecer a verdade integral de Luz del Fuego e seu pensamento inovador, que desafiou preconceitos e abriu caminho para o naturismo no Brasil. Uma mulher à frente de seu tempo que demonstrou que a sociedade, não apenas de sua época, mas até os dias de hoje, vive travestida de falso moralismo. Além disso, o livro corrige um erro histórico sobre a comemoração do Dia do Naturismo no Brasil, equivocadamente publicado em biografias, revistas, jornais e até em órgãos oficiais do Movimento Naturista.

 

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Domingas de Bronze


Não deixe de visitar a exposição de 7 a 27 de dezembro!
As vivências de Arte no CMEI Laurentina Mendonça Corrêa, integradas ao projeto “Vitória Viva: Preservando Nossas Raízes”, aproximaram as crianças da Educação Infantil da Arte Pública Capixaba presente em Vitória/ES. A proposta valorizou esculturas que compõem o patrimônio cultural da cidade, despertando nelas um olhar sensível para a história, a memória e a identidade capixaba.
O destaque do interesse infantil foi Dona Domingas, cuja figura inspirou desenhos autorais, experimentações com materiais recicláveis, produção de papel reciclado e a criação de uma grande escultura que fazia alusão à obra original. O trabalho utilizou papel e papelão, matérias-primas presentes no cotidiano da própria Dona Domingas. As crianças também refletiram sobre a ausência de identificação na escultura real e confeccionaram placas com pequenas caixas que seriam descartadas onde escreveram o nome Domingas.
A experiência incluiu ainda uma intervenção artística no muro externo da escola, na técnica do lambe-lambe, utilizando desenhos das crianças e fortalecendo o diálogo entre educação, cultura e cidade. Apesar de não visitarem a escultura em grupo, as famílias participaram levando as crianças ao local, gerando registros que enriqueceram o projeto.
A iniciativa alcançou também a comunidade artística. Ao conhecer o trabalho, o poeta capixaba Francisco José Leite escreveu o poema “Domingas de Bronze”, que deu nome à exposição final das crianças. Assim, as ações promoveram consciência ambiental, valorização da memória local e o reconhecimento da arte urbana como parte da vida e das histórias das crianças.


 

terça-feira, 4 de novembro de 2025

A ladeira de Maria Ortiz que subiu à glória; os cativos que ali caíram, viraram pó


 Questões a refletir, isto é, para quem quiser olhar e verificar os fatos sem medo de mudar de ideia.

 Por Estêvão Zizzi

 Alguém já ouviu, ainda que de passagem, estes nomes: Francisca Preta, João Mina, Manuel Angola, Catarina Crioula, Antônio Benguela, José Crioulo, Mariana Preta, entre outros? Esses nomes pertencem a pessoas de carne e osso, cujas existências constam em registros — catálogos do APEES, microfilmes da Biblioteca Nacional, FamilySearch e acervos eclesiásticos locais do Espírito Santo.

Mas quem foram essas pessoas e qual é o seu valor histórico para o Espírito Santo, que jamais receberam qualquer homenagem como verdadeiros heróis e que viraram poeira na tão famosa ladeira do Pelourinho, que leva o nome de Maria Ortiz?

A imensa maioria deles viveu, trabalhou e ergueu a cidade de Vitória, sustentando a vida colonial. Ergueram as paredes da primeira Igreja de Nossa Senhora da Vitória, subiram e desceram a Ladeira do Pelourinho carregando pedras e tijolos, plantaram o alimento que sustentava os soldados e cuidaram das crianças dos senhores, enquanto os próprios filhos eram vendidos.

Hoje, podemos afirmar com toda certeza que cada rua antiga de Vitória é, de certo modo, um túmulo invisível desses trabalhadores esquecidos.

O mais irônico é que os restos mortais da maioria dessas pessoas são, dia após dia, pisoteados pelos transeuntes no chão da Ladeira do Pelourinho — onde tantos foram punidos —, e onde não há sequer uma plaquinha em memória de suas vidas.

Por outro lado, há ali uma placa em homenagem à “heroína capixaba Maria Ortiz” e, mais recentemente, foi criado, no Centro, o mural “Marias do Centro”, em tributo a cinco Marias. Podemos, porém, afirmar que, de fato, quatro delas existiram. Mas a Maria das Marias, chamada Maria Ortiz, existiu?

Com todo o nosso respeito a escritores, historiadores, barões e afins, o nome de Maria Ortiz só surgiu quando o Jornal Correio de Vitória, em 1861 — leia-se: nunca mencionado antes desde a suposta proeza de 1625, quando teria afastado a invasão holandesa com um tacho de água fervente —, chamou a atenção das autoridades ao perguntar o nome da mulher do tacho.

Posteriormente a esse fato, surgiu, do nada, João Bernardes de Sousa, o Barão do Guandu, que trouxe à baila o nome de Maria Ortiz e sua suposta ascendência, mas alegou não possuir mais o documento. Disse tê-lo entregue ao Arquivo Nacional à época. Em pesquisa que fizemos junto ao arquivo, não encontramos qualquer registro — nem digitalizado, muito menos físico.

Enfim, podemos afirmar que não há nenhuma fonte primária que ateste esses dados. E, quanto às fontes secundárias, não passam de crônicas.

Além do exposto, consultamos a caderneta de Dom Pedro II, na qual ele registrava com detalhes tudo sobre suas viagens. A título de exemplo, quando esteve na Bahia, citou Maria Quitéria de Jesus, a heroína que lutou pela independência do estado.

Já quando veio, em 1860, ao Espírito Santo, não há uma linha sobre o nome ou o feito de Maria Ortiz. Por quê? A resposta é simples: nem a memória do povo guardava essa proeza, e muito menos as autoridades — se soubessem de seu nome — certamente teriam mencionado ao Imperador.

Conclusão: Quando repetimos o que nunca aconteceu, damos vida à mentira sob o nome de memória.

Enfim, legitimamente deveriam corrigir esse erro histórico e colocar uma placa em homenagem a Francisca Preta, João Mina, Manuel Angola, Catarina Crioula, Antônio Benguela, José Crioulo, Mariana Preta e outros que ali viveram. Ou, ainda, criar um mural com suas certidões de batismo, como forma legítima de dar os louros a quem realmente merece.

 

  


 

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

A Pietà do Lixo - Dona Domingas


Dona Domingas Felippe foi a terceira de cinco filhos de Frederico Felippe e Maria Helena Felippe. Nasceu em 23 de março de 1884, no Rio de Janeiro. Ainda menina, aos quatro anos, presenciou, no Campo de São Cristóvão, a Missa Campal de Ação de Graças pela Abolição da Escravatura, realizada em 17 de maio de 1888, com a ilustre presença da princesa Isabel.

Em 1889, a família mudou-se para a Bahia, onde nasceu a filha Brasília Felippe (1889 – 1958).
Em 1901, vieram para Vitória, no Espírito Santo, e foram morar no bairro de Santo Antônio, na antiga Rua Alzira Viana Morro, atual Rua Conselheiro Mafra, nº 89. Ali, Domingas cresceu e trabalhou como arrumadeira nas casas dos vizinhos.
Em 1927, aos 43 anos, casou-se com Mário Manoel Sacramento, com quem teve um filho, José Paulo Bomfim (1927 – 1988). Nesse mesmo ano, ela e sua irmã Olira (1905 – 1988) trabalharam como catadeiras de café em grãos na firma alemã Tordovilli. Posteriormente, fez bicos em lojas da cidade, como faxineira.
Já próxima dos cinquenta anos, deixou tudo e passou a ganhar o sustento catando e vendendo papelão pelo centro da cidade. Tornou-se conhecida como a primeira pessoa a se preocupar com a reciclagem em Vitória.
Vestida com uma túnica de algodão preta, um cajado na mão direita, um saco nas costas e os cabelos presos em coques Bantu Knots, símbolo da cultura afro, e descalça, andava pelo antigo Largo Padre Inácio, Largo da Matriz, e percorria a avenida Jerônimo Monteiro, até o Banco de Crédito Agrícola do Espírito Santo, onde deixava o papelão no anexo do laboratório do Dr. José Monteiro, que ficava no Edifício Sarkis, para ser vendido.
Sua figura simples, porém marcante, chamou a atenção do escritor e escultor italiano Carlo Crepaz, com quem estabeleceu uma sincera amizade. Em 1959, Crepaz criou a primeira estátua em madeira de Dona Domingas, hoje preservada no Museu de Belas Artes, no Rio de Janeiro, com o título “O Anoitecer”. Outras duas réplicas foram produzidas: uma delas, em bronze, permaneceu com um morador do interior do Espírito Santo, e a outra, em madeira, foi levada pelo escultor para Ortisei, na Itália.
Dona Domingas faleceu em 1º de junho de 1966, aos 82 anos, e foi sepultada no Cemitério de Santo Antônio. Alguns anos depois, em 1973, o então prefeito Crisóstomo Teixeira adquiriu uma das estátuas de bronze e a instalou ao lado da Escadaria Bárbara Lindemberg, em homenagem ao trabalhador capixaba.
Com o passar do tempo, sem identificação visível, a escultura chegou a ser confundida com Padre Anchieta ou São Benedito. No entanto, graças ao trabalho do biógrafo e escritor capixaba Estêvão Zizzi, sua verdadeira história veio à tona. Ele registrou depoimentos de familiares, amigos e comerciantes que conviveram com Dona Domingas, revelando que ela nunca foi mendiga, como muitos acreditavam.
Seu ofício era catar papelão e materiais recicláveis — atividade com a qual sustentava a própria vida com dignidade e determinação. O biógrafo destaca ainda que Dona Domingas é a única pessoa pobre do mundo representada por uma estátua diante de um palácio, o que confere à obra um profundo valor simbólico e social.
Em 1986, a Escola de Samba Pega no Samba levou à avenida o enredo “Tipos Populares de Vitória”, cujo carro de frente trazia a estátua de Dona Domingas.
Em 2012, por ocasião do centenário do Parque Moscoso, um grupo de atores percorreu o parque representando figuras populares da antiga Vitória, e uma atriz vestiu-se de Dona Domingas, revisitando a memória da cidade-presépio.
Em 2013, o Centro Cultural Guananira realizou nova apresentação em homenagem aos “Tipos Populares de Vitória”, com outra atriz representando a personagem.
Desde então, embora poucas homenagens tenham sido feitas, seu legado permanece vivo, como exemplo de coragem, humildade e resistência.
Quem desejar conhecer mais sobre essa mulher admirável deve procurar sua biografia intitulada “A Pietà do Lixo – Dona Domingas”, de autoria do escritor Estêvão Zizzi.
Dona Domingas Felippe — a mulher que transformou o lixo em dignidade — jamais será esquecida.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Padre Vieira Antônio Vieira - O bom ladrão à luz dos tempos moderno



Neste livro provocador e profundamente atual, *Padre Antônio Vieira* é ressuscitado em espírito e verbo para confrontar os escândalos do mundo contemporâneo com a lâmina cortante de sua retórica. Sob o título inspirado no célebre *Sermão do Bom Ladrão*, Vieira revisita os altares e os tribunais dos nossos dias, denunciando com ironia e coragem os novos fariseus, escribas e juízes — agora vestidos de toga, farda ou gravata.
Em crônicas ácidas e diálogos fictícios com padres, políticos e fiéis de todas as cores, Vieira retoma sua missão: separar o ouro do incenso, a fé do teatro, a justiça da aparência. Ele não perdoa os ladrões de almas, os que lavam as mãos em público e sujam os bastidores com corrupção, nem os que usam a cruz como escudo para seus interesses pessoais.
*O Bom Ladrão à Luz dos Tempos Modernos* não é um livro de teologia, mas um espelho. Nele, a palavra do antigo jesuíta ecoa como uma trombeta contra a hipocrisia dos dias de hoje, mostrando que o verdadeiro escândalo não está nas ruas, mas nos altares que traem o Cristo que dizem servir.
Para quem ousa ler com os olhos abertos e a consciência exposta.